domingo, 12 de setembro de 2010

It's a love story ♪

Era uma manhã de sexta-feira, na pequena cidade. O sol brilhava radiante. Mas Sophia não se sentia muito animada para ir a praia com seus amigos, após a escola. Sentia como se algo nada agradável estivesse prestes a acontecer, desde o dia anterior.
Estava sentada na sua carteira de sempre, perto das amigas. O pessoal combinava a programação do dia. Ela não prestava atenção em nada, fosse na conversa paralela dos colegas, fosse na matéria. Estava imersa em pensamentos, tentando desvendar de onde vinha aquela sensação tão esquisita. Não chegou a conclusão alguma, então, decidiu tentar se desvencilhar daquele pensamento e prestar atenção na aula de Álgebra, afinal, ela precisava de nota...Sem sucesso algum, passou a torcer pro intervalo chegar logo.
Olhava o relógio com freqüência, o tempo parecia se arrastar tão lentamente que a deixou estressada. Precisava muito descer, tomar sua Coca-cola, ouvir música. Não importava bem o quê, só queria sair daquela sala, pois já se sentia sufocada ali. Talvez, não pela sala em si, mas por não poder exterminar sua ansiedade de alguma forma. Ela batia seu pé no chão, sem ritmo e escrevia trechos de músicas, por toda a folha do caderno. Quando ela começou a escrever a frase de sua música preferida, o sinal tocou. Ela largou tudo pela mesa e desceu correndo escada abaixo.
Comprou tudo o que queria. E se direcionou a um local mais reservado do colégio. Não estava com muita paciência pras conversas fúteis das amigas. Ela só queria pensar, sozinha.
Mas seu namorado passou por aquela escada, procurando-a. Ele se deparou com a menina sentada, a cabeça apoiada na parede, segurando sua Coca-Cola com uma mão e o Ipod com outra. Totalmente distraída. Depositou-lhe um selinho de leve e sorriu, dizendo ‘oi, meu amor’. Ela, porém, limitou-se a retribuir o beijo e sorrir. O menino notou algo errado, mas assim que ia perguntar o que ocorrera, o celular de Soph’s, como ele a chamava, tocou...
A menina olhou o número, e foi em direção ao pátio. Eduardo, sem nada entender, ficou observando-a falar. Ela gesticulou muito, falou alto, reclamando ou argumentando algo, até que em um dado instante, ela abaixou a voz, fez sinal positivo com a cabeça e desligou o telefone.
Ao fim da ligação, Sophia entendeu o por quê de tal sensação mais cedo. Era sua intuição feminina a avisando daquele acontecimento ao qual havia tomado partido com a conversa ao telefone. Ela já esperava por algo ruim, só não por algo tão...péssimo. Sem forças e em meio às lágrimas, se arrastou até o canto do pátio. Apoiou-se na parede, abraçou seus joelhos, e escondeu seu rosto ali.
Eduardo que via tudo de longe, se assustou com a cena da menina arrasada e foi, preocupado perguntá-la o que havia acontecido.
-Meu amor, o que foi? Por que está chorando, vida? – apoiou a mão no ombro magrinho e frágil de sua amada, acariciando-o.
Sophia levantou sua cabeça lentamente, secou as lágrimas, respirou fundo. E disse:
-Nada, Eduardo. Não aconteceu nada. Agora, pode me deixar em paz? Saí daqui. Agora! – virou o rosto pro lado, evitando que ele a visse prendendo o choro.
Antes que Ed pudesse retrucar aquela atitude. O sinal tocou novamente, anunciando o fim do intervalo. Ele voltou pra sala. Andando lentamente e fixando seu olhar nela algumas vezes.
Sophia foi embora pra casa mais cedo.
Seu telefone celular não parava de tocar. Eduardo devia estar completamente desesperado. Ele foi à casa dela, ela não quis o receber. Ligou pra ela centenas de vezes. E mandou mensagens pedindo alguma informação. Mas nada. Nem uma palavra dela.
No dia seguinte, o Sol se manteve firme. Porém Sophia não cintilava alegria como era de costume. Ela estava em uma escala de cinza, para não dizer sem cor alguma. Os olhos não brilhavam, estavam marcados por olheiras profundas. Sentia-se vazia e sem forças... Foi essa a imagem que Eduardo viu ao chegar ao colégio. A menina abria a porta com uma lentidão exagerada. E quando o viu, pelo rabo de olho, chegar, acelerou o movimento. Foi direto para sua sala. Nem um ‘bom dia’, nem um olhar...
Não é exagero dizer que os dois pareciam desligados do mundo durante o tempo que se passou. Eduardo não fez suas piadinhas de sempre. E Sophia simplesmente, jogou seu material em cima da carteira e fingiu copiar a matéria, quando na verdade, escrevia uma carta.
Como o namorado sairia cedo naquele dia, ela desceu no intervalo para entregar a carta. Quando se encontraram, o menino, visivelmente preocupado, perguntou o que estava ocorrendo, por que esta estava fugindo dele. Ela manteve-se calada, enquanto ele a enchia de perguntas. Colocou seu pequeno dedo na boca dele, indicando que queria que ele parasse de falar, aproximou seus rostos e sussurrou:
-Essa carta é pra você. Quero que a leia somente depois que sair da escola, tá? Ah, eu te amo muito. Não esquece – selou seus lábios aos dele por um instante, e subiu as escadas correndo.
Ed não entendeu nada. Mas fez o que a sua pequena havia pedido. A curiosidade o consumia. Durante a aula de História, a carta que estava em seu bolso parecia pesar dois quilos.
Assim que saiu do colégio, abriu a carta. E começou a ler.

“Amado Eduardo,
Eu devo estar fora do alcance do seu olhar quando começar a ler esta carta. Não quero ter que passar pela dor de uma despedida. Você sabe o quanto eu as odeio. E o quanto doeria, tanto em mim quanto em ti. Resolvi nos poupar disso.
Então, vida, aquele telefonema ontem era da minha mãe. Ela dizia que vamos pra cidade natal dela ainda hoje. E ao receber essa notícia, fiquei muito chocada e deprimida. Foi como um baque pra mim. A dor me inundou, perdi o rumo. A noção do que era mundo e o que é pesadelo... Por isso, fui tão grossa contigo naquela hora em que veio me perguntar o que havia ocorrido. Eu estava confusa. Aliás, ainda estou...
Durante a noite, chorei muito. Muito mesmo. Não é exagero. Você sabe que sou dramática, mas não é drama, não. Eu realmente, nunca havia chorado tanto assim em minha vida. A lâmina da gilete parecia mais atraente ontem, inclusive. Mas resisti à tentação, porque de alguma forma, tinha que te dar satisfações. Mesmo que dessa forma tão covarde...
Meu amor, eu sinto muito por tudo isso. Não é minha culpa, você sabe. Estávamos tão felizes, unidos, apaixonados... Tão perfeitamente encantados. E agora, recebo esse choque, me dizendo que tenho que me afastar de ti. E eu tenho que ir, não há escolha.
Quero te dizer que a dor de ir embora não é por causa dos meus amigos, ou algo do tipo. Um pouco por eles, claro. Mas principalmente, por ter de deixar você. Jogar fora a linda história de amor que temos construído ao longo desses quase sete meses... Mas saiba que apesar de eu estar longe, fisicamente; estarei bem próxima a você, pois viverás em meu coração, até a última batida dele... eu cuidarei de ti mesmo sem te ver, e viverei por você, mesmo que não vivas mais por mim. Viverei pelo nosso amor, que continuará crescendo nem que seja baseado em lembranças. As NOSSAS lembranças...
Ah, mais uma vez, mil perdões por não ter coragem suficiente pra te dizer sequer um ‘tchau’, antes de ir. É que se eu ousasse olhar seus olhos, me dizendo adeus. Tal cena me acompanharia pra sempre, e me corroeria. Prefiro guardar só as boas recordações, não as tristes...
Eu te amo muito, tá? E serei pra sempre a sua pequena Soph’s.”


Ele leu aquilo. E a cada palavra dita, uma lágrima escorria por seu perfeito rosto. O menino entrou em pânico. Não sabia de nada. Só sabia que não podia deixar a razão de sua vida ir embora dessa maneira. Tinha que fazer algo. Desobedecer à vontade dela... Olhou seu relógio, faltavam quinze minutos pra aula da garota acabar. Ele saiu correndo em direção à escola.
Chegando lá, ele se apoiou na grade e esperou, olhando pro nada. Ouviu o barulho da porta se abrir, o que o tirou de seus devaneios. Olhou o relógio, ainda faltavam dez minutos para o fim da aula. Mas Sophia saia da escola, com o fichário numa mão, e a mochila jogada de lado, como sempre. Ele a olhou, e sorriu.
Ficou olhando pra cada canto do rosto da menina, como se quisesse gravar cada mínimo detalhe da feição de sua bonequinha de porcelana. Ela só sorria, sem graça. Até que ele a puxou em um abraço apertado.
-Você não devia estar aqui, bê. – sussurrou ela em seu ouvido.
-Eu não podia te deixar ir embora sem dizer que te amo... tanto – ele falou.
Eles se abraçaram mais forte. Até que a menina se soltou aos poucos do abraço. E chorando, foi embora. Ele ficou a olhando partir, sem reação. Só sentia as lágrimas se formarem e descerem pelo rosto, incessantemente.
Ela sentiu algo em seu bolso pesar. Colocou a mão dentro do bolso da calça. E tirou dali uma caixinha. Abriu a mesma, e nela tinha o cabo de uma rosa, em formato de aliança, com um bilhete.

“Eu prometo que vou te buscar, com um anel lindo em uma mão e no outro um buquê de rosas. Porque amor como o nosso supera qualquer obstáculo... Espera por mim, vida?
Com todo o amor do mundo,
Eduardo. “

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